Última alteração: 2025-06-17
Resumo
O objetivo desse artigo é discutir os desafios do contemporâneo hiperconectado também chamado de futuro-agora através do mapeamento dos principais fatos agrupados por décadas a partir da grande revolução tecnológica da sociedade ocorrida em 1984, com o lançamento do microcomputador pessoal. Esse marco sócio-cultural dá início ao conceito de “usuário no poder” e cria os fundamentos para a revolução da internet ocorrida na década seguinte - 1994. Na terceira década deste estudo 2004 - surge o protagonismo das plataformas e redes sociais. assim como os rudimentos iniciais do imbricamento da internet das coisas, big data e inteligência artificial. De 2014 a 2024 a invasão da Inteligência Artificial – IA – ganha protagonismo e status de centralidade. Este estudo insere-se no âmbito das pesquisas empíricas e de pesquisa-ação realizadas por pesquisadores do NACE Escola do Futuro - USP através do seu Observatório da Cultura Digital.
O futuro é agora e foi urdido na trama cultural instituída pela revolução tecnológica e pela expansão da internet, a rede que interliga redes e atores humanos e não-humanos. Trajetos, trilhas, caminhos, interfaces e links constituem elos e entrelaçam-se na configuração da sociedade contemporânea hiperconectada, que apresenta-se a partir do imbricamento da internet das coisas, do big data e da inteligência artificial.
O lançamento mundial do microcomputador pessoal multimídia em 1984 pela Apple inaugura a era de popularização do acesso à informação a partir da utilização de editores de textos e planilhas eletrônicas O consumidor, ou usuário final, finalmente estava no controle de uma interface que trouxe empoderamento porque o acesso a rotinas de programação não seria mais uma exclusividade de programadores e cientistas da computação.
A introdução da Internet em termos comerciais ocorreu em 1994 com a web 1.0 aprofundando a revolução tecnológica iniciada com o microcomputador multimídia promovendo a formação da primeira onda informacional, que abrangeu a inclusão digital com a utilização do email e das plataformas colaborativas WIKI. A desintermediação e desterritorialização atreladas à horizontalização nas relações sociais alteraram as formas de comunicação tradicionais que deixaram de ser de “um para muitos” tornando-se de “muitos para muitos”.
Em 2004 acontece a emergência das grandes plataformas e redes sociais. Na segunda onda informacional, são lançadas as bases avançadas da web 2.0 no cotidiano, destacando-se o protagonismo dos prosumers - consumidores que também produzem conteúdos. O Google consolida-se como a plataforma de busca dominante e a Amazon como referência para negócios. Com a implosão da dualidade emissor-receptor, característica das formas comunicativas do século XX, surge o imediatismo da informação e as relações mediadas pelas telas ganham status de liquidez.
A partir de 2014 acontece o crescimento exponencial do imbricamento entre inteligência artificial, big data e internet das coisas constituindo a terceira onda informacional, a onda gigante da conectividade alargada. O grande processamento de dados permite a hibridização da máquina com a inteligência humana buscando mimetizar e reproduzir comportamentos humanos.
Como desdobramento do debate sobre a expansão do conhecimento em ambientes digitais, a cultura digital ou cultura do remix contempla novas formas de produção, consumo e desenvolvimento da informação. O imbricamento da Internet das coisas (IoT) com a gestão de grande quantidade de dados informacionais (Big Data) e sua interface com a inteligência artificial (IA), indica-nos pistas metodológicas sobre as configurações da sociedade contemporânea hiperconectada. Nesse sentido, na educação o tempo de reflexão e apropriação do conhecimento está diretamente relacionado aos conceitos de transformação do tempo. Com o desenvolvimento das transliteracias, os conceitos de educação e de ensino-aprendizagem estão sendo revisitados, principalmente diante do desafio do ensino remoto, imposto pelo isolamento social decorrente da pandemia do covid-19.
Diante da busca por certezas a escola deve ensinar incertezas. O entrelaçamento de conceitos como contemporâneo hiperconectado, modernidade líquida, inteligência emocional, hibridismo, criatividade, flexibilidade, relativismo e complexidade constituem a teia narrativa do futuro-agora. Interfaces e plataformas digitais podem ser amigáveis na consolidação de novas formas de interação social. A tecnologia permitirá que os professores dediquem-se à mentoria e não apenas à reprodução de conteúdos.
Neste contexto insere-se a empresa patrocinadora deste estudo Maistech Educacional - http://maistecheducacional.com.br que, inspirada nas literacias de mídia e informação e no hibridismo contemporâneo concebeu o projeto Phygital para crianças no início da alfabetização, integrando material impresso e plataforma digital cuja utilização terá início em 2025. O nó górdio é superar as nossas dificuldades, valorizar os professores, investir em formação docente, uma vez que os desafios do novo mundo simbólico das linguagens digitais expande-se em constante transformação e ressignificação.
Exercícios de envisionar o futuro vem sendo anunciados por filmes de ficção científica desde o século passado. Resta-nos trazer o futuro para o agora e assim projetar e melhorar o futuro-futuro.
Palavras-chave: futuro-agora, internet das coisas; inteligência artificial; big data; transliteracias; Phygital; desafios da IA para educação.