Faculdade de Letras da Universidade do Porto - OCS, VII Congresso ISKO Espanha e Portugal / XVII Congresso ISKO Espanha

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Inclusão e Diversidade em Organização do Conhecimento: desafios éticos e foratalecimento do empoderamento feminino
Andréa Salache Loide, Ademir Juracy Fanfa Ribas, Fernando Salache Cleverson

Última alteração: 2025-06-17

Resumo


Este estudo teve como premissa investigar como práticas orientadas pela inclusão e diversidade na Organização do Conhecimento poderiam conduzir à consolidação de espaços mais equitativos, ao fortalecimento do empoderamento das mulheres, tendo em vista desafios éticos, relacionados à forma como saberes eram classificados, indexados e disseminados. A pesquisa foi conduzida a partir de uma abordagem qualitativa e exploratória, envolvendo a análise de documentos institucionais, relatórios que apresentavam iniciativas de revisão de descritores excludentes e entrevistas semiestruturadas com profissionais da informação, bibliotecárias e pesquisadoras. A interpretação das falas e dos dados empíricos ocorreu de maneira crítica, considerando as persistentes assimetrias de poder que historicamente dificultavam a justa representação de autoras em acervos, bases de dados e outros sistemas de informação. Os relatos revelaram, por exemplo, que estruturas classificatórias tradicionais tendiam a privilegiar categorias ancoradas em perspectivas masculinas, o que resultava na invisibilidade ou no apagamento de temas ligados às mulheres. Observou-se, também, que instituições que incentivavam a liderança feminina e promoviam formação continuada de suas equipes, apresentavam maior capacidade de enxergar os vieses inconscientes envolvidos nos processos de catalogação, promovendo a renovação de repertórios temáticos, adotando linguagens mais acolhedoras e reconhecendo as múltiplas identidades interseccionais que permeavam raça, classe e gênero. Ao ampliar significativamente o leque de itens representados, tal avanço possibilitava ao público acessar produções científicas e culturais antes silenciadas, refletindo com mais fidelidade a diversidade e a riqueza da experiência humana. Sob essa ótica, o fortalecimento do empoderamento feminino vinculava-se, diretamente, a práticas que não apenas realçassem a presença de mulheres como autoras, mas que propiciassem também o protagonismo de pesquisadoras no delineamento das regras de classificação e indexação. Embora os resultados evidenciassem avanços em determinados contextos, emergiam simultaneamente desafios éticos de natureza complexa. Havia resistência de partes interessadas em preservar padrões consagrados, alegando temor de despadronização e de redução na interoperabilidade entre sistemas de informação. Além disso, a falta de recursos para treinamento, bem como, a ausência de políticas institucionais robustas, limitava a capacidade de muitas bibliotecas e centros de documentação de implantar mudanças efetivas. Nesse cenário, a dimensão ética despontava ao exigir reflexão contínua sobre as consequências socioculturais das escolhas terminológicas e hierárquicas, sinalizando que a Organização do Conhecimento não se restringia a um exercício técnico, mas também político e relacional. Isto posto, o estudo reforçou a tese de que a participação ativa das mulheres em todas as fases, desde o planejamento dos thesaurus até a gestão de algoritmos de indexação, constituía fator crucial na mitigação de desigualdades e na consolidação de práticas inclusivas. A implementação de redes de cooperação entre instituições, a promoção de debates sobre diversidade e a busca de estratégias conjuntas para reajustar padrões considerados obsoletos, surgiram como passos decisivos para a construção de um ambiente informacional menos excludente. Concluiu-se, pois, que a proposta de inclusão e diversidade em Organização do Conhecimento, centrada no fortalecimento do empoderamento feminino, exigia intervenções estruturais capazes de transcender a mera inserção de termos ou correções pontuais na linguagem. Tratava-se, de uma transformação cultural movida pela consciência de que a forma como se organizava o conhecimento, impactava diretamente a visibilidade e a legitimidade de diferentes grupos sociais. A formação contínua de equipes, a atualização de políticas institucionais e o incentivo à participação de mulheres em processos decisórios representaram, portanto, caminhos possíveis para minimizar a reprodução de estereótipos e assegurar que as vozes femininas fossem ouvidas e reconhecidas em todo o ecossistema da informação. Desse modo, o estudo sinalizou a necessidade de manter vivo o debate ético, alertando para o fato de que toda estrutura classificatória carregava consigo valores sociopolíticos, e que revisar tais estruturas implicava rever conceitos arraigados na cultura organizacional. Essa revisão constituía, em última análise, um passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa, em que o empoderamento das mulheres deixasse de ser um ideal distante e se convertesse em prática tangível nos repositórios, catálogos e sistemas de indexação que serviam de base para o compartilhamento de saberes em escala global.