Faculdade de Letras da Universidade do Porto - OCS, VII Congresso ISKO Espanha e Portugal / XVII Congresso ISKO Espanha

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Bibliotecas escolares inclusivas: produção e organização da informação para o atendimento e ambiência de pessoas neurodiversas
Débora Araújo Machado Teixeira, Mariângela Spotti Lopes Fujita, Marcelo Fernandes de Oliveira

Última alteração: 2025-06-17

Resumo


Objetivos As bibliotecas escolares, sendo indissociáveis da escola, desempenham um papel basilar no processo de inclusão, que é coletivo, e de responsabilidade de todos. Para que esses espaços se tornem verdadeiramente acolhedores, facilitadores da aprendizagem, implica que os profissionais, que ali atuam, ajam como sujeitos protagônicos ressignificando seus saberes/fazeres/quererem em prol do respeito ao outro, ao diferente, e ao diverso (Gomes, 2019). Em vista disso, é imperativo repensar a produção e a organização da informação, adaptando-as às necessidades específicas de cada indivíduo. Para desenvolvermos os objetivos propostos nesta pesquisa, partimos do princípio legal de que é fundamental que, independentemente das condições físicas ou neurológicas de cada ser humano, que todos tenham acesso pleno a seus direitos, entre os quais se destaca o direito à educação (Silva, Spudeit, 2020), que respeite e acolha a diversidade, que seja capaz de promover a liberdade, a dignidade, a transformação e a emancipação, assegurando que cada indivíduo, com suas especificidades, seja sujeito de seu próprio aprendizado. Portanto, e oportunamente, temos como objetivo geral: apresentar aspectos a serem considerados na produção e organização da informação como elementos catalizadores no atendimento e ambiência de pessoas neurodiversas em bibliotecas escolares. Método Como estratégia de ação, a pesquisa foi alicerçada sobre o método dedutivo. Neste sentido, nos auxiliou a identificar aspectos específicos a serem considerados na produção e organização da informação, e justificar suas recomendações com base em princípios gerais de inclusão e acessibilidade para pessoas neurodiversas. A abordagem deu-se de modo qualitativa, tendo a tipologia descritiva ao permitir a relação entre os variados assuntos propostos no estudo, a saber: biblioteca escolar, inclusão, produção, organização da informação e neurodiversidade; fornecendo, portanto, dados concretos e reais sobre o assunto em tela. Quanto aos instrumentais de coleta de dados, optamos pelo método indireto, fazendo uso do levantamento bibliográfico, e pela técnica de análise e solução de problema. Principais resultados A investigação sobre a neurodiversidade, nos levou a compreender que ela engloba uma variedade de condições neurológicas no funcionamento cerebral, consoante observações de Ortega (2009). Cada uma dessas condições apresenta características e necessidades distintas, impactando a forma como a informação é processada e compreendida. Portanto, a padronização da informação, sem levar em consideração essas particularidades (Lectura para todas y todos, 2022), pode se tornar uma barreira intransponível. Convém ressaltar sobretudo, que a produção da informação, por exemplo, deve ser pensada de forma multimodal, explorando diferentes formatos e linguagens. A disponibilização de audiolivros, vídeos explicativos e softwares de leitura também se mostra essencial para atender às diversas preferências e necessidades de aprendizagem. A organização do espaço físico da biblioteca também merece atenção especial (Lectura para todas y todos, 2022).  Ambientes sobrecarregados de estímulos visuais e sonoros podem ser extremamente desconfortáveis para alunos com sensibilidade sensorial. A criação de áreas calmas e silenciosas, com iluminação suave e mobiliário ergonômico, permite que esses alunos se concentrem e se sintam mais à vontade para explorar o acervo. A sinalização clara e intuitiva, com o uso de cores e pictogramas, facilita a localização dos materiais e a orientação no espaço. De igual modo a organização do acervo deve ser repensada à luz da neurodiversidade. A categorização dos livros por temas e níveis de dificuldade, a criação de guias de leitura personalizados e a disponibilização de recursos de busca adaptados (Albuquerque; Sousa; Guimarães, 2015). às necessidades individuais são medidas que promovem a emancipação e a participação dos alunos neurodiversos. A utilização de softwares de gerenciamento de biblioteca que permitam a personalização da interface e a adaptação do tamanho da fonte também contribui para a acessibilidade da informação. Conclusão A inclusão dos alunos neurodiversos nas escolas, embora um desafio, é, sobretudo, uma luta constante pela efetivação dos direitos que foram arduamente conquistados ao longo da história. A produção e a organização da informação em bibliotecas escolares devem ser repensadas para garantir a inclusão de alunos neurodiversos. A adoção de estratégias multimodais, a adaptação do espaço físico e a personalização do acesso à informação são medidas que promovem a equidade e o sucesso escolar para todos. Ao investir em bibliotecas escolares inclusivas, estamos investindo no futuro de uma sociedade mais justa, acessível e humanizada, onde cada indivíduo tem a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial. A implementação dessas adaptações exige o investimento em capacitação dos profissionais da biblioteca. É fundamental que os bibliotecários escolares compreendam as características da neurodiversidade e as estratégias para atender às necessidades específicas de cada aluno. A colaboração com equipes multidisciplinares, como psicólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais, é essencial para garantir que as adaptações sejam efetivas, relevantes e inclusivas.

Palavras-chaves: organização da informação; biblioteca escolar; neurodiversidade.