Última alteração: 2025-06-17
Resumo
Tema 4 – Os Utilizadores e os Sistemas de Organização do Conhecimento
Palavras-Chave: Arqueologia; Arquivística; Arquivos de Arqueologia.
Introdução
A Ciência da Informação, através do campo aplicado da Arquivística, e a Arqueologia, não parecem ser disciplinas com objetivos próximos. No entanto, esta é uma relação que tem vindo a ser aprofundada no âmbito do desenvolvimento de estudos sobre a organização, representação e a promoção do acesso a arquivos de arqueologia, quer físicos, quer digitais, quer ainda híbridos.
A Arqueologia é uma área caracterizada como interdisciplinar, que compreende uma vertente teórica e uma prática, sendo que esta última se baseia na destruição das provas arqueológicas aquando das escavações em sítios arqueológicos, “ao remover, pela escavação, os objetos do seu contexto” (Perrin et al., 2019, p. 10). Neste sentido, é importante pensar na organização destes materiais, que podem chegar aos milhares (Lee, 2019), através da Ciência da Informação, que tanto pode apoiar a análise e organização da informação para a sua contextualização, de modo a permitir a reconstrução dos sítios arqueológicos a partir dos registos encontrados.
Metodologia
O presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão de literatura acerca de arquivos de arqueologia, produzindo um estudo de investigação documental e, portanto, de natureza qualitativa. Esta recolha de informação irá permitir conceptualizar o termo, mas também perceber que tipo de materiais é que estes arquivos comportam e precisam de apoio a organizar e representar através de metadados específicos. Para tal, foram realizadas pesquisas em duas bases de dados: a web of science e a scopus, com as palavras-chave ‘archaeological archive’, tanto no singular, como no plural, e em inglês ou português. Nesta pesquisa foram utilizadas as aspas para permitir delimitar ainda mais a pesquisa apenas para os termos utilizados e foram recolhidos resultados em acesso aberto e em línguas como o inglês, português, espanhol e francês.
Arquivos de Arqueologia
Inicialmente eram os arqueólogos que tinham a responsabilidade de garantir a preservação adequada dos artefactos e informação proveniente dos projetos arqueológicos, mas “conforme a arqueologia evoluiu do estudo de objetos para análises contextuais e científicas mais complexas” (Perrin et al., 2019, p. 6), percebeu-se a necessidade de criar um arquivo organizado que reunisse registos escritos, desenhos, fotografias e dados que já são, muitas vezes, elaborados digitalmente, para permitir a sua organização e representação.
No geral, os arquivos são o resultado de vários procedimentos que transformam uma quantidade de documentos em “objetos dignos de serem conservados e mantidos num local público, onde podem ser consultados de acordo com procedimentos e regulamentos bem estabelecidos” (Mbembe, 2002, p. 20). Segundo (Ward, 2022), os arquivos arqueológicos são fundamentais para a metodologia arqueológica, já que “continuam a desempenhar um papel crucial na produção do conhecimento arqueológico atual” (p. 115).
No âmbito da digitalização de informação arqueológica, é também importante referir que esta utilização da tecnologia não resulta apenas do depósito deste tipo de documentação em arquivos já que, muitas vezes, é preciso fazer uma transcrição do conteúdo do documento para ser compreendido por indivíduos que não tenham conhecimentos da área. Ainda, os esquemas de metadados utilizados, frequentemente não estão normalizados e são heterogéneos, o que faz com que a sua pesquisa seja dificultada, afetando a “interpretação dos documentos e a forma como o conhecimento é produzido e ativamente transformado no arquivo arqueológico” (Ward, 2022, p. 161).
Em relação às definições de arquivo arqueológico, uma delas é a de Tsang, et al. (s.d.), que defende que “um arquivo arqueológico consiste nos registos e achados feitos durante um projeto arqueológico, incluindo documentação escrita ou desenhada, ficheiros digitais e cerâmica, pedra, metalurgia, ossos de animais e madeira” (para. 1). Um acervo deste âmbito é constituído, segundo Sousa et al. (2015) por “bens arqueológicos móveis, tais como artefactos e amostras, respetivo inventário e demais documentação produzida no decurso dos trabalhos de campo e de gabinete” (p. 268). Em relação ao tipo de materiais que devem ser preservados, estes não se figuram apenas em registos em papel ou fotográficos, mas também amostras diversas, desenhos, cartografia, ficheiros audiovisuais, documentação administrativa (Bombico, 2020), entre outros.
Resultados
Os resultados encontrados focam-se na conceptualização de arquivo de arqueologia, já que são apresentadas algumas dessas definições elaboradas por diversos autores, mas também nos materiais que compreendem este tipo de arquivos. Para além disso, são mencionados alguns dos fatores que afetam a interpretação e estudo de informação proveniente de projetos arqueológicos.
Conclusão
Em modo de conclusão pode dizer-se que os arquivos de arqueologia têm feito o seu caminho, muitas vezes, de modo paralelo ao que é desenvolvido na ciência da informação, e deve haver esforços para que esta relação se torne mais estreita, já que a relação destas disciplinas pode ser benéfica no sentido de organização, conservação e representação da informação. Através da Ciência da Informação existem regras de organização e conservação de acordo com a tipologia documental, e também são elaborados modos de normalizar e homogeneizar o vocabulário que é utilizado para os metadados em qualquer tipo de arquivo, e que são tão importantes para contextualizar o trabalho arqueológico. Esta relação faz com que a informação se transforme em conhecimento, já que fica contextualizada e interligada através dos metadados.
Referências Bibliográficas
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