Última alteração: 2025-06-17
Resumo
2 - Inteligência Artificial Generativa e Organização do Conhecimento
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO JORNALISMO: UM ESTUDO SOBRE OS EFEITOS
Palavras-chave: Inteligência Artificial. Jornalismo. Gestão do Conhecimento. Ética.
OBJETIVOS
Este estudo investiga como a Inteligência Artificial (IA) está sendo aplicada na prática jornalística, analisando textos científicos sobre seus efeitos positivos e negativos. O objetivo central foi elencar os impactos negativos e positivos causados pela utilização da IA no âmbito jornalístico, abordando ainda aspectos relacionados à organização do conhecimento e aos desafios contemporâneos enfrentados pelas organizações e profissionais da informação. A pesquisa apresenta contribuições relevantes para o campo do jornalismo, pois se aproxima de questões que lidam diretamente com a atuação do profissional da comunicação, mediador da informação, e com os reflexos da adoção da IA no desempenho de suas funções.
METODOLOGIA
A metodologia adotada foi quanti-qualitativa: quantitativa pela contagem objetiva de ocorrência dos aspectos elencados e qualitativa pela interpretação a partir dos textos, com o intuito de alocar corretamente os impactos como positivos ou negativos. Para composição do corpus, foram coletados 20 documentos por meio de buscas no Google Acadêmico e no Portal de Periódicos da CAPES, utilizando os termos “Jornalismo” e “Inteligência Artificial”. A análise de conteúdo permitiu identificar as principais tendências, sendo que os resultados foram discutidos a fim de aprofundar as implicações e oportunidades associadas ao uso da IA.
RESULTADOS
Entre os principais resultados positivos destacam-se: produção rápida (32%), interpretação de dados (29%) e a valorização da qualidade humana no jornalismo (27%). A produção acelerada de conteúdo está diretamente relacionada com a capacidade de processar dados, embora a IA ainda dependa da criatividade humana para elaboração de textos. A qualidade conferida ao olhar humano permanece insuperável, sobretudo em análises subjetivas, verificação de informações e interpretação contextual dos fatos. Os impactos negativos mais evidentes foram a baixa qualidade em textos complexos (23%), desinformação (14%) e a percepção de possível extinção da profissão de jornalista (14%). A desinformação, ligada à ausência de checagem e à automação acrítica, acende um alerta sobre a responsabilidade ética no uso dessas tecnologias.
No que tange à organização do conhecimento, destaca-se que a IA poderá manipular dados e extrair sentidos práticos com agilidade, sendo uma aliada estratégica na gestão da informação. No entanto, reafirma-se que os seres humanos continuarão sendo parte indispensável desse processo, pois “o processo de gestão deve-se a eles” (IGARASHI et al., 2008).
A discussão revelou também que a democratização do uso da IA, como no caso do ChatGPT, impõe novos desafios éticos, educacionais e regulatórios. A IA pode simular linguagem e emitir respostas bem estruturadas, mas não possui consciência, crenças ou historicidade — aspectos centrais para a atuação jornalística autêntica. Além disso, fenômenos como a desinformação algorítmica e as bolhas informacionais — vinculadas ao capitalismo de vigilância — requerem atenção, uma vez que restringem o acesso à diversidade de conteúdos e reforçam visões polarizadas. A credibilidade jornalística, portanto, passa a depender não apenas da apuração humana, mas também de como se regula e se compreende o uso ético da IA no ambiente informacional.
CONCLUSÕES
Conclui-se que os avanços provocados pela IA já transformam de forma irreversível as práticas jornalísticas e organizacionais. A tecnologia oferece oportunidades de otimização, mas não substitui a essência do jornalismo, pautada na busca pela verdade, qualidade e ética. O conceito de “jornalismo automatizado” desponta como uma nova forma de produção, ainda em consolidação. A regulamentação em curso, como o Projeto de Lei 2338/23, aparece como tentativa de balizar essa transformação, garantindo a participação e supervisão humana efetiva no ciclo da IA. Por fim, enfatiza-se a importância da formação crítica desde os processos educacionais, pois “uma sociedade que utiliza recursos tecnológicos, sem antes desenvolver o pensamento crítico, poderá criar polarizações que produzem visões radicais acerca de temas absolutamente pacíficos” (Paletta; Pelissaro, 2016; Kaufman; Santaella, 2020; Assis, 2023).
REFERÊNCIAS
Assis, F. (2023). Inteligência artificial e jornalismo opinativo: problematizando em diálogo com o ChatGPT. Estudos em Jornalismo e Mídia, 20(2), 63–75. https://doi.org/10.5007/1984-6924.2023.95413.
Brasil. Congresso Nacional. (2023). Projeto de Lei nº 2338, de 2023: Câmara dos Deputados. https://www.camara.leg.br/projetos-de-lei/2338/2023.
Igarashi, W., et al. (2008). Aplicações de inteligência artificial para gestão do conhecimento nas organizações: Um estudo exploratório. Revista Capital Científico-Eletrônica (RCCҽ), 6(1), 239–256.
Kaufman, D., & Santaella, L. (2020). O papel dos algoritmos de inteligência artificial nas redes sociais. Revista FAMECOS, 27(1), e34074. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2020.1.34074.
Paletta, F. C., & Pelissaro, B. (2016). Informação, ciência e tecnologia na sociedade da informação no contexto da Web 3.0: Uma análise a partir de três questões. Revista Conhecimento em Ação, 1(1), 18–28.