Faculdade de Letras da Universidade do Porto - OCS, VII Congresso ISKO Espanha e Portugal / XVII Congresso ISKO Espanha

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Redes de colaboração científica em pesquisas publicadas no Livro da ISKO Brasil 2023: análise cientométrica
Larissa Silva Costa, Bianca de Láia Vicentini, Maria José Veloso da Costa Santos, Rosane Abdala Lins, Vania Lisboa da Silveira Guedes

Última alteração: 2025-06-17

Resumo


RESUMO: O presente estudo tem por objetivo mapear a colaboração científica em pesquisas publicadas no livro da International Society for Knowledge Organization (ISKO) Brasil 2023. O tema do estudo justifica-se pela ISKO ser  “. . . a principal sociedade científica na área de Organização do Conhecimento” (ISKO, [20--?]), que possibilita diálogos entre pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e países (Guimarães, 2017). A colaboração científica é considerada testemunho de que o avanço do conhecimento é fruto de um esforço de complementaridade e síntese de saberes. As pesquisas bibliométricas e cientométricas na Organização do Conhecimento (OC) produzem indicadores associados à dinâmica social de um domínio do conhecimento (Hjørland, 2003). Nessa perspectiva, possibilitam o mapeamento de atores, artigos, instituições, áreas, regiões etc, investigando como domínios do conhecimento se distinguem e se aproximam sob diferentes abordagens. A Cientometria está focada na dimensão quantitativa da atividade científica e utiliza leis e técnicas bibliométricas para estudos quantitativos da ciência em determinado domínio. Este estudo usa a Análise de Redes Sociais (ARS) para modelar a rede de coautoria em comunicações apresentadas à ISKO Brasil 2023. A ARS tem origem na Sociologia, no século XIX, e, metodologicamente, analisa feixes de relações. A modelagem de redes sociais é considerada relevante porque oferece “. . . um novo espectro de metodologias e técnicas para identificação, seleção, coleta e análise de informações . . .” de todo tipo de agente (Tarapanoff & Alvares, 2015, p. 37). Portanto, a ARS atua como importante método de auxílio na análise da colaboração científica, assim como na interação social observada nas redes de indivíduos, instituições, países, entre outros, e possibilita realizar análises a partir da coautoria, cocitação e outros tipos de relação entre os pares (Leta & Canchumani, 2015).  A colaboração científica pode ocorrer a partir da coautoria em artigos científicos, como também pelo compartilhamento de recursos como: laboratórios de pesquisa, equipamentos, metodologias, dentre outros. Este estudo se caracteriza como bibliográfico e descritivo, com abordagem quali-quantitativa. Foram realizadas buscas no site da ISKO Brasil para recuperar as pesquisas publicadas no Livro do evento de 2023. A amostra é composta de 84 trabalhos apresentados nos três eixos temáticos do evento, suprimindo o Fórum de pós-graduandos. Foram consideradas as pesquisas em coautoria para o mapeamento das redes de colaboração científica a partir da utilização dos softwares Excel e Gephi. Observaram-se 10 trabalhos em autoria única, que foram também suprimidos da análise. Do universo de 74 (100,00%) trabalhos analisados verificou-se que 44 (59,46%) foram produzidos a partir da relação orientando e orientador. O total de autores é 177 (100,00%) afiliados a 30 instituições, sendo que quatro (2,25%) apontaram dupla afiliação, chegando-se ao total de 181 afiliações. Destaca-se o autor Barros, T. H. B. com maior número de publicações em coautoria, ou seja, 03 trabalhos (4,05%) em colaboração com 07 (1,73%) pares. Em relação à rede institucional, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) prevalece com 31 (17,12%) autores afiliados e ocupa segundo lugar em colaborações (22 – 14,96%), atrás da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) que ocupa o primeiro lugar em colaborações (24 – 16,32%). Considerando a produção de autores afiliados à UEL, em 15 (83,33%) ocorreram coautorias intrainstitucionais. Notou-se que a maior parte das instituições e países de afiliação dos autores concentra-se no Brasil (26 instituições com 176 autores). Na internacionalização do conhecimento, pode ser observado que a proximidade de línguas (ou idiomas) (neo-latinas) que atraiu a coautoria, como, por exemplo, a Itália por meio da Università di Bologna que apresentou duas contribuições, enquanto que o Uruguai com a Universidad de la República, a Colômbia com a Universidad del Cauca e a Espanha com a Universidad de León apresentaram uma contribuição cada. Os resultados revelam que o objetivo do estudo foi alcançado e reforçam a premissa de que a colaboração científica é um fenômeno que ocorre na comunicação científica entre pares e se configura como importante no campo científico para o avanço da ciência.

PALAVRAS-CHAVE: Organização do Conhecimento; Cientometria; Redes de colaboração científica.

REFERÊNCIAS:

HJØRLAND, B. (2003). Fundamentals of Knowledge Organization. Knowledge Organization, 30 (2), 87-111.

ISKO. [20--?]. ISKO Internacional. https://isko.org.br/isko-internacional/

GUIMARÃES, J. A. C. (2017). Organização do conhecimento:  passado, presente e futuro sob a perspectiva da ISKO. Informação&Informação, 22 (2), 84-98.

LETA, J.; CANCHUMANI, R. M. L. (2015). Redes colaborativa na ciência: estudos de coautoria e cocitação. In TOMAEL, M. I.; MARTELETO, R. M. Informação e redes sociais: interfaces de teorias, métodos e objetos. (pp. 117-135). Londrina: Eduel, 2015.

TARAPANOFF, K.; ALVARES, L. (2015). Perspectivas em inteligência organizacional e competitiva na Web 2.0: uma visão geral. In TARAPANOFF, K.; ALVARES, L. (Orgs.). Análise da informação para a tomada de decisão: desafios e soluções. (pp. 21-59). Curitiba: InterSaberes.