Tamanho Fonte:
Dados abertos sobre povos indígenas em portais governamentais do Brasil e Estados Unidos: métodos e ferramentas para coleta de dados
Última alteração: 2025-06-17
Resumo
1) Introdução
A disponibilização de dados abertos sobre os povos indígenas pode ter impacto direto na equidade e na inclusão, pois não só permite uma maior compreensão de suas realidades, mas também oferece aos pesquisadores a possibilidade de realizar estudos mais aprofundados e contextualizados. Os dados relacionados à situação dessas comunidades são cruciais para estudos em áreas como antropologia, medicina ou educação. Os estudos gerados a partir desses dados não só contribuem para o avanço do conhecimento em diferentes disciplinas, mas também podem influenciar na formulação de políticas públicas atreladas a problemas reais. Por outro lado, a disponibilidade de dados abertos sobre os povos indígenas também pode favorecer a colaboração interdisciplinar e o trabalho em rede entre acadêmicos, ativistas, organizações internacionais e as próprias comunidades indígenas.Uma combinação que propulsiona a motivação desta pesquisa seria entre tecnologia e dados abertos aos quais tem o potencial de transformar a forma como a pesquisa é conduzida e compartilhada. Borgman (2012) apresenta quatro amplas justificativas para o compartilhamento de dados de pesquisa: reprodutibilidade, atendimento ao interesse público, fazer novas perguntas e avançar a pesquisa ". O compartilhamento de dados abertos pode contribuir para a resolução de problemas sociais e ambientais, permitindo que pesquisadores e formuladores de políticas tomem decisões informadas com base em evidências.Para que haja visibilidade a coleta de dados deve ser realizada com eficiência, para isso esses dados devem estar estruturados em conjuntos de dados disponibilizados publicamente, permitindo que qualquer pessoa possa acessá-los, utilizá-los e redistribuí-los sem restrições.Então, para que os conjuntos de dados sejam criados de forma organizada surgiu a criação do plano de dados ao qual abertos refere-se a um conjunto de diretrizes e estratégias para disponibilizar informações de forma transparente, acessível e reutilizável para o público em geral. Para medir o desempenho de instituições governamentais na abertura de dados foi estabelecida a Open Government Partnership (OGP) ou Parceria para Governo Aberto para que os “[...] Planos de Ação Nacionais sejam constituídos de compromissos de Estado alinhados aos princípios do Governo Aberto, quais sejam: Transparência, Accountability, Participação Cidadã e Tecnologia e Inovação [...]” (Bertin, 2019 p. 2).Isso envolve a publicação de dados em formatos abertos e interoperáveis, garantindo a privacidade e segurança das informações, e promovendo a transparência e a participação cívica. O objetivo é incentivar a inovação, a prestação de serviços públicos mais eficientes e a criação de valor a partir dos dados disponibilizados. Entretanto o Governo deve atuar como provedor de infraestrutura de dados, assegurando acesso simples e confiável às informações brutas, de modo que permita sua coleta e reutilização (Robinson et al., 2009). Para coletar dados de forma automática em portais de dados abertos e, posteriormente, criar mecanismos informacionais que contenham dados indígenas estruturados para facilitar a pesquisa acadêmica como, por exemplo, um repositório de dados indígenas, é necessário identificar ferramentas de tecnologia da informação em repositórios científicos utilizadas para estruturar dados. O objetivo desta investigação é, portanto, identificar ferramentas de tecnologia da informação em repositórios científicos que permitam coletar automaticamente dados indígenas estruturados em portais de dados abertos.
2) Metodologia
Para a coleta de ferramentas de tecnologia da informação, será utilizada uma abordagem exploratória e descritiva. O estudo foi dividido em duas fases: na primeira fase foram selecionados os portais de dados governamentais e institucionais a serem explorados; a segunda fase consistiu em identificar ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) em repositórios científicos utilizadas para coleta de dados em portais de dados abertos.Primeira fase: Para esta pesquisa, optou-se pelos portais brasileiro (Dados.gov.br) e norte-americano (Data.gov), devido à disponibilidade de APIs para extração estruturada de dados. Após a seleção dos portais, avalia-se a viabilidade de importação dos dados, considerando os formatos disponíveis (CSV, JSON, XLSX, entre outros), essa informação é importante para selecionarmos a ferramenta. Segunda fase: Para isso, a pesquisa basear-se-á em artigos científicos que abordem: (I)Técnicas de web scraping – para extração automatizada de conjuntos de dados nos portais; (II) Processos de ETL (Extract, Transform, Load) – para coleta e tratamento dos dados; (III) APIs (Application Programming Interfaces) – para integração direta com fontes de dados heterogêneas.
3) Resultados
Foram encontradas entre API´s, Ferramentas de dados e Webscraping 42 ferramentas para coleta de dados, porém para a utilização dessas ferramentas é necessário um conhecimento de nível intermediário em tecnologia, mesmo com a utilização da inteligência artificial, pois é necessário a parametrização do sistema. O portal brasileiro possui uma abordagem mais amigável, com interfaces gráficas e passos detalhados para acesso aos dados. O portal dos EUA é mais técnico, exigindo maior conhecimento prévio para utilização das APIs, mas oferece ferramentas robustas.
4) Conclusões
O estudo evidenciou a disponibilidade de diversas ferramentas e APIs para coleta e processamento de dados, com diferenças significativas na usabilidade e abordagem entre os portais brasileiro e norte-americano. Apesar de o portal de dados brasileiro oferecer ferramentas mais interativas ainda sim deve-se considerar o perfil do usuário como técnico para que obtenha sucesso da coleta dos dados.
Referências
Bertin, P.R.B. et al. (2019) A Parceria para Governo Aberto como plataforma para o avanço da Ciência Aberta no Brasil. Transinformação, 31, e190020. http://dx.doi.org/10.1590/2318-0889201931e190020Borgman, C.L. (2012), The conundrum of sharing research data, Journal of the American Society for Information Science and Technology, 63, 6, pp. 1059-1078, doi: 10.1002/asi.22634. Robinson, David; Yu, Harlan; Zeller, William P.; Felten, Edward W. Government data and the invisible hand. Yale Journal of Law & Technology, 11,pp. 160-175. 2009. Disponível em: https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1138083. Acesso em: 01 abr. 2025.
A disponibilização de dados abertos sobre os povos indígenas pode ter impacto direto na equidade e na inclusão, pois não só permite uma maior compreensão de suas realidades, mas também oferece aos pesquisadores a possibilidade de realizar estudos mais aprofundados e contextualizados. Os dados relacionados à situação dessas comunidades são cruciais para estudos em áreas como antropologia, medicina ou educação. Os estudos gerados a partir desses dados não só contribuem para o avanço do conhecimento em diferentes disciplinas, mas também podem influenciar na formulação de políticas públicas atreladas a problemas reais. Por outro lado, a disponibilidade de dados abertos sobre os povos indígenas também pode favorecer a colaboração interdisciplinar e o trabalho em rede entre acadêmicos, ativistas, organizações internacionais e as próprias comunidades indígenas.Uma combinação que propulsiona a motivação desta pesquisa seria entre tecnologia e dados abertos aos quais tem o potencial de transformar a forma como a pesquisa é conduzida e compartilhada. Borgman (2012) apresenta quatro amplas justificativas para o compartilhamento de dados de pesquisa: reprodutibilidade, atendimento ao interesse público, fazer novas perguntas e avançar a pesquisa ". O compartilhamento de dados abertos pode contribuir para a resolução de problemas sociais e ambientais, permitindo que pesquisadores e formuladores de políticas tomem decisões informadas com base em evidências.Para que haja visibilidade a coleta de dados deve ser realizada com eficiência, para isso esses dados devem estar estruturados em conjuntos de dados disponibilizados publicamente, permitindo que qualquer pessoa possa acessá-los, utilizá-los e redistribuí-los sem restrições.Então, para que os conjuntos de dados sejam criados de forma organizada surgiu a criação do plano de dados ao qual abertos refere-se a um conjunto de diretrizes e estratégias para disponibilizar informações de forma transparente, acessível e reutilizável para o público em geral. Para medir o desempenho de instituições governamentais na abertura de dados foi estabelecida a Open Government Partnership (OGP) ou Parceria para Governo Aberto para que os “[...] Planos de Ação Nacionais sejam constituídos de compromissos de Estado alinhados aos princípios do Governo Aberto, quais sejam: Transparência, Accountability, Participação Cidadã e Tecnologia e Inovação [...]” (Bertin, 2019 p. 2).Isso envolve a publicação de dados em formatos abertos e interoperáveis, garantindo a privacidade e segurança das informações, e promovendo a transparência e a participação cívica. O objetivo é incentivar a inovação, a prestação de serviços públicos mais eficientes e a criação de valor a partir dos dados disponibilizados. Entretanto o Governo deve atuar como provedor de infraestrutura de dados, assegurando acesso simples e confiável às informações brutas, de modo que permita sua coleta e reutilização (Robinson et al., 2009). Para coletar dados de forma automática em portais de dados abertos e, posteriormente, criar mecanismos informacionais que contenham dados indígenas estruturados para facilitar a pesquisa acadêmica como, por exemplo, um repositório de dados indígenas, é necessário identificar ferramentas de tecnologia da informação em repositórios científicos utilizadas para estruturar dados. O objetivo desta investigação é, portanto, identificar ferramentas de tecnologia da informação em repositórios científicos que permitam coletar automaticamente dados indígenas estruturados em portais de dados abertos.
2) Metodologia
Para a coleta de ferramentas de tecnologia da informação, será utilizada uma abordagem exploratória e descritiva. O estudo foi dividido em duas fases: na primeira fase foram selecionados os portais de dados governamentais e institucionais a serem explorados; a segunda fase consistiu em identificar ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) em repositórios científicos utilizadas para coleta de dados em portais de dados abertos.Primeira fase: Para esta pesquisa, optou-se pelos portais brasileiro (Dados.gov.br) e norte-americano (Data.gov), devido à disponibilidade de APIs para extração estruturada de dados. Após a seleção dos portais, avalia-se a viabilidade de importação dos dados, considerando os formatos disponíveis (CSV, JSON, XLSX, entre outros), essa informação é importante para selecionarmos a ferramenta. Segunda fase: Para isso, a pesquisa basear-se-á em artigos científicos que abordem: (I)Técnicas de web scraping – para extração automatizada de conjuntos de dados nos portais; (II) Processos de ETL (Extract, Transform, Load) – para coleta e tratamento dos dados; (III) APIs (Application Programming Interfaces) – para integração direta com fontes de dados heterogêneas.
3) Resultados
Foram encontradas entre API´s, Ferramentas de dados e Webscraping 42 ferramentas para coleta de dados, porém para a utilização dessas ferramentas é necessário um conhecimento de nível intermediário em tecnologia, mesmo com a utilização da inteligência artificial, pois é necessário a parametrização do sistema. O portal brasileiro possui uma abordagem mais amigável, com interfaces gráficas e passos detalhados para acesso aos dados. O portal dos EUA é mais técnico, exigindo maior conhecimento prévio para utilização das APIs, mas oferece ferramentas robustas.
4) Conclusões
O estudo evidenciou a disponibilidade de diversas ferramentas e APIs para coleta e processamento de dados, com diferenças significativas na usabilidade e abordagem entre os portais brasileiro e norte-americano. Apesar de o portal de dados brasileiro oferecer ferramentas mais interativas ainda sim deve-se considerar o perfil do usuário como técnico para que obtenha sucesso da coleta dos dados.
Referências
Bertin, P.R.B. et al. (2019) A Parceria para Governo Aberto como plataforma para o avanço da Ciência Aberta no Brasil. Transinformação, 31, e190020. http://dx.doi.org/10.1590/2318-0889201931e190020Borgman, C.L. (2012), The conundrum of sharing research data, Journal of the American Society for Information Science and Technology, 63, 6, pp. 1059-1078, doi: 10.1002/asi.22634. Robinson, David; Yu, Harlan; Zeller, William P.; Felten, Edward W. Government data and the invisible hand. Yale Journal of Law & Technology, 11,pp. 160-175. 2009. Disponível em: https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1138083. Acesso em: 01 abr. 2025.